FW Entrevista: Thaís Aux, tradutora oficial das HQs de Star Wars no Brasil

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Com mais de 10 anos de experiência no mercado de publicações no Brasil, Thaís Aux já trabalhou como designer, jornalista e agora trabalha para a editora Panini como tradutora em quadrinhos das franquias Mortal Kombat, Hora da Aventura e… Star Wars!

Nessa entrevista, falamos sobre o mercado de quadrinhos no país, as dificuldades e diversões da profissão de tradutor e o universo da saga de uma galáxia muito, muito distante. Confira:

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Arte de capa de Star Wars #1 (2015)

Fail Wars: Primeiramente, muito obrigado por ter aceito o nosso convite e estar concedendo essa entrevista para a gente, Thaís. Vamos começar logo com uma pergunta formadora de caráter: Qual seu personagem favorito de Star Wars? Por quê?

Thaís Aux: Nossa, já começou com uma pergunta muito, muito difícil! Eu fico dividida entre a Rey e o Obi-Wan Kenobi. Ben é um dos personagens mais incríveis de toda a ficção científica. E a Rey, ainda não sabemos tudo sobre ela, não é? E também gosto muito da Leia, da Padmé, do C-3PO… sem esquecer também da Ahsoka Tano, de Clone Wars e Rebels. É impossível escolher um só!

Você começou sua carreira na editora Abril trabalhando com produtos licenciados da Disney e permanece até hoje como colaboradora em títulos como Frozen. Há um tratamento diferente entre esses títulos e as publicações de Star Wars, que desde 2012 também é da Disney?

Não faz diferença o fato de ambos serem da Disney. O que liga as duas coisas é o fato de eu sempre ter trabalhado com marcas licenciadas. Disney, Star Wars, Marvel, DC, Harry Potter… para todas elas, é necessário ter um cuidado muito minucioso, pois trata-se de produtos da cultura pop que já fazem parte do imaginário das pessoas. É preciso ter rigor técnico e seguir todas as diretrizes passadas pelas marcas. Atentar-se para esses detalhes, sem perder a identidade dos personagens e universos a que pertencem, é fundamental.

Desde o retorno dos quadrinhos da saga para as mãos da Marvel em 2015, tivemos vários títulos publicados por aqui dentro dos mixes “Star Wars” e “Darth Vader”, como os próprios “Star Wars” e “Darth Vader”, assim como “Lando”, “Kanan”, “Obi-Wan & Anakin”, “Princesa Leia” e muito mais. Para você, qual deles foi o mais legal de traduzir e por quê?

Foram muitos títulos incríveis! Mas acho que a minissérie “Obi-Wan e Anakin” foi uma das mais legais, pois mostra como era a dinâmica de Mestre e Padawan quando o Anakin ainda era jovem, e como ela já estava sendo manipulado por Palpatine. Além do mais, os dois povos em guerra (Abertos e Fechados) exemplificam muito bem a divisão política do mundo hoje em dia. É um trabalho fenomenal do roteirista Charles Soule.

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Nos filmes da saga, já vimos algumas traduções peculiares como “Dooku” virando “Dookan” e “Sifo-Dyas” virando “Zaifo-Vias”. Durante suas traduções de Star Wars, você já se deparou com algo peculiar desse tipo? A quem você recorre quando precisa traduzir termos mais específicos do universo Star Wars?

Às vezes aparecem termos novos, e geralmente discuto com o editor, Levi Trindade, como ele vai ficar em português. Mas nunca veio nada tão peculiar assim, infelizmente!

Além de tradutora, você também comanda o Doctor Who Brasil, um dos maiores portais brasileiros sobre a série britânica. Se Obi-Wan ou Rey se encontrassem com o Doctor, como você acha que seria?

Eu adoraria ver uma aventura do Doutor (ou da Doutora!) com o Ben Kenobi, jáá pensou? E a Rey seria uma excelente companion! A gente já teve um crossover de Doctor Who com Star Trek nos quadrinhos, lançado pela IDW, e seria incrível se houvesse um de DW com SW. Quem sabe um dia?

O protagonismo feminino é uma tendência nos filmes de Star Wars que só vem crescendo. Na trilogia clássica, tivemos a princesa Leia, nas prequelas, Padmé Amidala e recentemente Rey e Jyn Erso no Episódio VII e Rogue One, respectivamente. Nos quadrinhos, não é diferente: nessa última leva de HQs da saga, tivemos a Doutora Aphra (“Darth Vader”), Sana Starros (“Star Wars”) e Shara Bey (“Império Despedaçado”). Como você se sente em relação a isso, tanto quanto mulher como uma das responsáveis por levar as aventuras dessas heroínas ao público brasileiro?

Uma das coisas que eu acho mais incríveis em Star Wars é que é um universo cheio de mulheres fortes, em pé de igualdade com os homens, como os exemplos que você citou. A mensagem que fica é que as mulheres podem fazer qualquer coisa – inclusive trabalhar com quadrinhos, um meio tão dominado por homens, e que ultimamente vem ganhando uma presença feminina cada vez mais forte! Já temos inclusive vários títulos de personagens femininas, como a Leia, a Aphra e agora a Phasma, e pra mim é uma honra e um privilégio dar voz a esses exemplos incríveis!

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Arte de capa de Star Wars #16 (2016)

Thaís, novamente muito obrigado por conceder essa entrevista. Que a Força esteja com você, sempre!

Eu que agradeço a oportunidade! Parabéns pelo trabalho que vocês fazem, sempre divulgando os quadrinhos de Star Wars no Brasil. Não é todo mundo que dá atenção para o universo expandido das sagas, por isso a divulgação nesses portais é fundamental. É o que fazemos também no DWBR, sempre falando e divulgando os quadrinhos que saem pela Titan Comics. Fica aí o convite para todos os fãs se aventurarem nas histórias em quadrinhos das sagas, é uma forma de enriquecer e expandir a experiência com os personagens e cenários que amamos!


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